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Proibido roubar na quebrada: território, hierarquia e lei no PCC

Proibido roubar na quebrada: território, hierarquia e lei no PCC

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Disponibilidade: Em Estoque.

R$58,00
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Descrição Rápida

Coleção Antropologia Hoje - Antropologia urbana

Autor Karina Biondi
Páginas 408
ISBN 978-85-7816-052-4
Formato 14 cm x 21 cm
Acabamento Brochura
Versão digital e-books/proibido-roubar-na-quebrada


Em Proibido roubar na quebrada: território, hierarquia e lei no PCC, a antropóloga Karina Biondi conduz o leitor por um mundo que, apesar de estar à nossa volta, é pouco e mal conhecido: o do Primeiro Comando da Capital, ou PCC.

O texto de Proibido roubar na quebrada venceu o prêmio de Melhor Tese de Doutorado de 2016 da Brazil Section / Latin American Studies Association, que assim fala sobre a obra:

“Lindamente escrito numa prosa envolvente, este estudo dos modos de vida e métodos cotidianos do Primeiro Comando da Capital, o PCC, de Karina Biondi, enfrenta os desafios cruciais que essa organização criminosa apresenta atualmente à sociedade e à administração pública brasileiras. Como explicado numa introdução muito franca, a pesquisa foi realizada em momento de extremo conflito entre o PCC e o Estado, em 2012, e foi conduzida sob condições negociadas com os ladrões.

Biondi afirma desde o início que sua intenção é fornecer um ponto de vista a partir do interior do PCC, e que as críticas à sua obra se devem à insistência de se olhar externamente para o PCC. Por meio de uma etnografia intensa, que a conduziu por ruas e quebradas de bairros pobres do estado de São Paulo, sua análise procura evitar as armadilhas de um discurso puramente jurídico ou criminalizador. O que se descortina é uma imagem de complexidade, com procedimentos, espaços e temporalidades diversos que levam o leitor a um novo objeto sociológico, que não é nem um movimento social propriamente dito, nem uma simples organização criminosa. De fato, seu texto alia uma análise excepcionalmente bem feita a uma sensação de pertencimento, tensão e ansiedade que nos mantém colados à narrativa até o final.”

Depois do sucesso de seu primeiro livro, Junto e misturado: uma etnografia do PCC, em que a autora nos revelou as dinâmicas do PCC na cadeia, este novo livro aborda o PCC nas ruas.  Com uma abordagem baseada em anos de trabalho de campo e que mescla memórias, conversas, observação, relatos, análises e muitos tipos de desafios, a autora se vale de noções utilizadas pelos próprios integrantes do PCC para desestabilizar conceitos clássicos das ciências sociais. Assim, os termos “movimento”, “ideia” e “situação” deslocam e desafiam os conceitos de território, hierarquia e lei. O subtítulo do livro, portanto, é formado por conceitos que são colocados em xeque em uma narrativa que, ao invés de se preocupar em dar uma forma ao PCC, investe na descrição de um fazer-PCC.

Autora premiada, Karina também está lançando a 2a edição ampliada de seu primeiro livro, Junto e misturado: uma etnografia do PCC, que em 2017 venceu um dos mais importantes prêmios internacionais de antropologia, o de Melhor Livro do Ano da Association for Political and Legal Anthropology/American Anthropological Association.

Ambos os livros saem pela Terceiro Nome e fazem parte da Coleção Antropologia Hoje, uma parceria da Terceiro Nome com a Editora Gramma e o NAU – Núcleo de Antropologia Urbana da USP.

Trecho de uma das questões apresentadas no livro:

Wando, irmão do Jardim Frequência, teve duas máquinas de caça-níqueis furtadas na Favela Cadência e estava ali para tentar recuperá-las. Diferentemente do que ocorria antes da existência do PCC nas ruas, quando ‘era um rouba-rouba de maquininha, todo mundo roubava a máquina do outro’ e ‘as quebradas viviam em guerra’, hoje não se rouba outro ladrão e, se isso acontecer, quem se sente lesado pode requerer um debate para tentar reaver o que lhe foi roubado.

 (…)

Depois de mobilizar diversas pessoas, ouvir ‘o lado delas’, tentar apurar o que ocorreu na tentativa de reaver as máquinas, o irmão Wando precisou interromper o debate depois que fora acionado por meio do seu celular ‘pra resolver uma fita’ em outra quebrada. Diante disso, ele afirmou: ‘Em plena luz do dia, nóis aqui no meio da favela debatendo esse lance... E eu nem podia estar aqui. Não tô saindo pra nada que os caras [a polícia] tão no meu pé. Quer saber? Vou embora e volto mais tarde pra terminar de resolver essa fita’. Já à noite, Murilo olhou para seu relógio e disse:

− Tô achando que os caras não vêm mais. Já tá de noite, e nada.

− Será que eles não vêm mais tarde? – perguntei.

− Ah, eu não posso esperar. Tenho uma pá de fita pra resolver. Preciso ir. O debate vai ficar pra outro dia – respondeu Murilo.

Nunca mais ouvi falar do debate das maquininhas. Várias perguntas passaram pela minha cabeça: o que teria acontecido? Depois de todo o empenho do irmão Wando em reaver suas maquininhas, ele teria desistido? Mesmo tendo conseguido uma confissão de um dos ladrões que roubaram as máquinas, ele relevaria o furto e não cobraria aqueles que as haviam furtado? Com isso, sua reputação não poderia ficar prejudicada? Para os ladrões envolvidos no furto das máquinas, ‘a ideia morreu’. Para Murilo, ele fizera sua parte ao proporcionar o debate na sua quebrada. E minhas dúvidas permaneciam como lacunas no meu material empírico.

 

Karina Biondi

Com a versão em inglês do seu livro Junto e misturado – uma etnografia do PCC, Karina Biondi venceu um dos mais importantes prêmios internacionais de antropologia, o de Melhor Livro do Ano – 2017 da Association for Political and Legal Anthropology/American Anthropological Association. E com o texto de seu novo livro, Proibido roubar na quebrada: território, hierarquia e lei no PCC – ambos lançados pela Terceiro Nome –, recebeu o prêmio de Melhor Tese de Doutorado 2015 pela Brazil Section / Latin American Studies Association.

Além de escritora premiada, Karina é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos, e, atualmente, professora na Universidade Estadual do Maranhão. Karina Biondi é também pesquisadora do LEAP – Laboratório de Estudos sobre Antropologia Política; do Hybris – Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Relações de Poder; e do NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos.

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