Élon Brasil e as nossas raízes encantadas
Autor: Élon Brasil
Surrealista, realista mágico, do jeito que se queira chamar, era natural que Élon Brasil um dia se descobrisse navegando pelo Amazonas, tendo por vizinha de rede a índia Iaçu, que o levaria floresta adentro, até uma aldeia da nação Tukano. Depois, viriam os Kalapalo, no Parque do Xingu. De ambos os encontros, um jeito novo de olhar e de sentir para um menino urbaníssimo, nascido em Niterói e que, já na infância, através do pai, conviveu com Jorge Amado, Menotti Del Picchia, Mário Pedrosa e luminares outros de um outro pensamento.
Desenho e pintura são igualmente belos, exatos, e Élon aprendeu o quase impossível de pintar parecido com ninguém, só com ele mesmo. Na sua infância, Mário Pedrosa queria mandá-lo para Berlim, estudar. Adulto, ele preferiu o Benin, e o mesmo olhar & arte com que reverenciou pajés, reverenciou babalorixás. Seus negros e negras, e índios e índias, e tudo mais que paira ao redor desses seres vêm-nos no estado mais puro e descomplicado; menos pretensioso; Élon pinta com precisão rigorosa, usando tinta e a matéria dos sonhos, que não sei como se chama. |